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O Poder - Voltar para a lista de artigos:
Iniciação e Caridade
J.A. FONSECA
Escritor, espiritualista e Conselheiro da Missão Ramacrisna
Diante das grandes necessidades que o mundo contemporâneo conseguiu agrupar em seu propósito de desenvolvimento e dos grandes conflitos que cercam o ser humano, poderíamos dizer que iniciação pode ser considerada como sinônimo de caridade e que o mestre que ele procura seria a luz que poderia iluminar a trilha sombria por onde caminha.
Não podemos nos esquecer que o princípio básico que rege a tão propalada iniciação se resume na prática do bem, sintetizada na caridade, ou seja, doar-se em benefício da felicidade do próximo. Isto não é algo fácil de se fazer, principalmente quando quase todos os apelos que nos cercam giram sempre em favor do ego e da satisfação dos sentidos. Porém, somente por intermédio deste princípio é que podem ser vencidas todas as formas de disputa que existem entre os homens, porque é a ganância e o espírito do mal que os induzem a serem egoístas e a perder a noção de fraternidade.
A falta de amor que existe até mesmo entre os estudiosos do oculto, pretendentes ao conhecimento sagrado, também torna para estes, cada vez mais distante a possibilidade de se tornarem em seres divinizados, ficando o “trabalho” da prática do altruísmo a cargo dos poucos idealistas que compreenderam este nobre ideal humano e se adiantam em fazê-lo. Para alcançar uma compreensão mais ampla do princípio de humanidade é necessário que o buscador da verdade descubra os dois pontos flamejantes que se ocultam em seu ser: o que brilha em sua mente superior e o que se assenta em sua emoção superior.
Somente com uma ajuda com esta, de dentro para fora, de sua alma para a alma dos necessitados é que ele poderá encontrar os verdadeiros desígnios de Deus e desvendar, definitivamente, não só o mistério da vida e da morte, como também o seu real papel dentro da evolução cósmica, mesmo encerrado num planeta minúsculo como a Terra. Estes dois aspectos de sua vontade interior (mente e coração) é que lhe darão suporte no caminho de sua própria ascensão, permitindo-lhe auscultar o que vem dos centros superiores do saber e então, conhecer os grandes mistérios que ocultam o Nome do Eterno.
Eis porque é essencialmente necessário que o discípulo tenha vencido as barreiras dos mundos inferiores, pois as chaves que abrem estes portais de luz são adquiridas na luta do dia-a-dia contra as mazelas do mundo e as propensões e deficiências do ego. A caridade se lhe apresenta então como um princípio sagrado e a exerce com plenipotência sua vontade em direção aos necessitados da Terra que são muitos e nos cercam de todos os lados. É bom que possa discernir bem esta questão, porque a grande maioria dos seres humanos ainda padece do mal da ignorância das coisas divinas e não sabe do grande tesouro que tem guardado em seu próprio interior. Esta, talvez, seja a maior das misérias que encobre a mente do ser humano, uma vez que esta é a matriz de todo o bem e de todo o mal que existe sobre a face da Terra.
O mestre costuma agir como uma luz que brilha constantemente sobre as sombras e incertezas do mundo da matéria, iluminando as mentes dos homens. Porém, não pode obrigar que todos percebam esta luz ou que caminhem no rumo indicado por ela. Em verdade, muitos não a podem ver ou sequer sabem que ela existe. Muitos viventes que recebem a vida emanada da luz do sol, ignoram este astro completamente, absorvidos que estão com seus pequenos problemas e limitações impostos pelo ciclo das necessidades. No entanto, ele está lá, dia após dia, espargindo sua luz vivificadora para todos os seres, sem interrupção. Esta é uma grande prova da misericórdia divina que nos chega dos centros de vida, assim como a luz dos mestres que vêm à Terra e serve de combustível para aqueles poucos adeptos que se doam para a humanidade e aconselham os caminhantes na vereda da iniciação.
Por isto, que a estes são exigidas transformações profundas em seu ego, para permitir que as virtudes que cercam suas vidas possam ser por eles identificadas. Dentre estes nobres atributos acabam se destacando a lealdade, a sinceridade, a perseverança, a coragem, a confiança, a compreensão, a capacidade de perdoar, o amor, a tolerância, etc., além da proposição de fazer o bem sem exigir qualquer recompensa.
Os mestres sabem dos perigos que cercam o discípulo, mas não podem fazer por ele o trabalho que ele próprio tem de fazer. Muitos são os que começam esta batalha interior, mas são poucos os que lhe dão continuidade e a terminam. Isto porque ignoram os inúmeros perigos que se ocultam no caminho e se acham camuflados entre as aparências dos mundos transitórios. Somente as práticas das boas noções de humanidade, dentre as quais está a mais importante delas, a caridade, é que ele se tornará imune das investidas do mal. Que se acautele o buscador da verdade que pode compreender isto porque somente quando, finalmente, a iniciação despertar nele o amor e a luz (aspectos divinos à disposição de todos os homens) é que ele estará apto para vencer as mazelas terrestres. Em sua maioria, os discípulos não podem compreendem as dificuldades que os mestres têm de enfrentar para se aproximar mais do âmbito da Terra, nem mesmo as implicações que acarretam esta aproximação. Deverá compreender que estes o fazem por misericórdia divina ou caridade, para que as mentes de todos os caminhantes, em todas as suas graduações, possam ser auxiliadas e desobstruídas de tantos pensamentos, e sua caminhada para a Divindade seja menos entravada pelos empecilhos que estes mesmos acumularam em suas múltiplas experiências sobre a Terra.

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