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O Poder - Voltar para a lista de artigos:
Conhecer a si mesmo
Lindananda
Existem centenas de livros apontando os meios para o ser humano encontrar a sua vocação. Há, sem dúvida, muitos ensinamentos úteis nessas obras, mas elas estão longe de resolver o problema vocacional. Por isso, verificamos tantos fracassos pelo mundo a fora porque as mentes são utilizadas no trabalho que não lhe são próprias, passando a agirem mecanizadas. Verifica-se, então, que o homem trabalha dirigindo a mecanização e, ao mesmo tempo, não passa de uma máquina governada por influências externas. O assunto é tão atraente que podemos afirmar que a arte, a poesia, o pensamento escrito, todos são fenômenos mecanizados. Filho de gato, gatinho é...
Há pessoas que não são máquinas, mas elas são antes de qualquer coisa, conhecedoras de si mesmas. E para uma pessoa saber se é ou não uma máquina, é preciso ter alcançado as qualidades de penetrar dentro do “Eu” interior. No mundo há gente selvagem, mecanizada, intelectual, gênios. Elas, aparentemente, são diferentes. Mas, a verdade é que são máquinas, movidas por influências externas. Máquinas nascem. Máquinas morrem. Estamos, pois, no reinado da mecanização. Parece um disparate incluir no mesmo quadro, selvagens e intelectuais, não é assim?
Agora, mesmo, quando estou escrevendo este artigo, milhares de máquinas tratam de matar uns aos outros. Que diferença há entre elas? Onde estão os selvagens e os intelectuais? Além do front vietnamita, dos terrenos asiáticos, estão os que aceitam e os que não aceitam a guerra, também, depredando, aniquilando, incendiando, como formas de protesto. Todos são os mesmos... senão agiriam de outra maneira.
Há várias espécies de máquinas: o automóvel é máquina; o canhão é máquina, a metralhadora é máquina; o avião, ultra-matador, espalhando milhares de bombas por dia, é máquina. Embora diferentes em seus místeres, tudo é a mesma coisa: máquina.
Existiriam meninos abandonados, todas essas campanhas para cessar os quadros tristes que vemos pelas ruas de nossa cidade, como sejam: a fome dessas crianças, a péssima educação, a nudez, se não fôssemos máquinas? Que importa u’a máquina ir para a cadeia, se ela é uma máquina? Esta ameaça, segundo nosso modo de entender, irá piorar a situação, se executada.
Tudo isso, também poderíamos chamá-lo por eufemismo, um mundo sem Deus, para não dar uma denominação mais desastrosa.
Artigo escrito em 20 de maio de 1972.
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