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O Poder - Voltar para a lista de artigos:
O não ser
Rosalina Dutra Agrícola
Escritora, poetisa, Presidente de Honra da Missão Ramacrisna
O teu silêncio e a tua paz,
O teu verde exuberante,
O murmúrio de tuas águas azuis vão pouco e lentamente
Adentrando o meu ser, que se deixa absorver integralmente
Por essa natureza majestosa que me rodeia.
O EU hominal, vai desaparecendo paulatinamente
à medida que o Absoluto o assimila.
Já não sou eu quem pensa, respira
Ou se move, é o todo místico que se manifesta na sua plenitude Cósmica.
Sinto uma perfeita sintonia com o reino vegetal, mineral, animal e,
nesta trilogia, o humano se realiza em êxtase, no gozo indefinível, transcendente da verticalidade.
Eu e natureza somos unos e ascendemos sedentos à infinitude do Criador.
De repente, a consciência integral rompe
o mistério do incognoscível e percebemos que
somos Ele, e Ele está em nós na integração com o Absoluto.
O ontem, o hoje e o amanhã já não têm sentido,
porque somos atemporais. Só um pensamento pensa,
vibra uníssono na mais esplendorosa mística do não ser. Algo indescritível, satura-nos
e sacia-nos totalmente e, a partir desse momento,
o nosso EGO perde a sua identidade. Já não queremos admitir o retorno da nossa cosmomentalização.
Ontem, o Eu profano, hoje, o não eu Divino, a Absoluto, a perfeição. |