Ela e outras 99 organizações acabam de ser reconhecidas como as melhores ONGs do Brasil. Trata-se da primeira edição da #melhoresOngs e é uma iniciativa do Instituto Doar e a Revista Época. Teve um número surpreendente de inscrições, mais de 1500. A premiação já nasce com êxito. São mais de 300 mil ONGs no Brasil. Entre associações de caridade, organizações da sociedade civil, institutos e fundações filantrópicas, estar entre as 100 é sinal de competência.

As organizações filantrópicas nunca aparecem na mídia a não ser para dizer de suas dificuldades ou de casos isolados de desvios de recursos públicos. Acontece que a ampla maioria das organizações faz um trabalho sério e estava na hora de reconhecê-lo, premiando a gestão e transparência das melhores. Para o Instituto Doar, que valoriza os bons exemplos através de um Selo de Qualidade chegou a hora de criar um estímulo para as ONGs e uma vitrine para os potenciais doadores se decidirem a doar. ONGs exemplares merecem o reconhecimento e o dinheiro de doadores conscientes. É esse o objetivo do Prêmio Melhores ONGs.

Cassia Christe da Revista Época, Silvia Daskal do Instituto DOAR, Solange Bottaro, vice-presidente da Ramacrisna, Américo Amarante Neto, superintendente da Ramacrisna e Fernando Nogueira da Fundação Getúlio Vargas.

Criada pelo jornalista Arlindo Corrêa da Silva, a Ramacrisna desenvolve, há 58 anos, projetos culturais, educacionais, profissionalizantes, entre outros, voltados para comunidade em situação de vulnerabilidade social de Betim e 9 cidades do entorno. O nome da instituição é em homenagem ao filósofo indiano Sri Ramakrishna, ecumenista que viveu no século 19 e pregava o trabalho social como forma de transformação do ser humano. Ela se tornou conhecida em todo o Brasil como instituição do Terceiro Setor referência em projetos de autossustentabilidade por possuir uma Fábrica de Telas de Arame. O resultado obtido com as vendas é destinado ao setor social da Ramacrisna, garantindo mais autonomia e uniformidade no atendimento às pessoas amparadas pelos projetos. A Ramacrisna ainda coleciona, desde sua fundação, diversas premiações renomadas, como o Prêmio Mineiro de Excelência da Gestão das Entidades do Terceiro Setor, promovido pela SEPLAG – Secretaria de Planejamento e Gestão de MG e o 1º lugar do Prêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – Educação de Qualidade para todos, do Governo de Minas. Somente em 2016, a instituição atendeu 91.935 pessoas em sua sede e em parceria com o Poder Público.

Para o Instituto Doar, mais do que um prêmio e seus vencedores, há um ecossistema que se beneficia do processo todo. Um Oscar não premia somente os ganhadores da estatueta mas põe pra cima todo um setor, estimula uma competição saudável, não entre pessoas ou instituições mas entre o que se é e o que se pretende ser. Uma ONG pode e deve ser estimulada a melhorar continuamente, assim como os diretores ou cenógrafos de um filme.

Em todo o mundo há dados que confirmam que certificações, prêmios e reconhecimentos aumentam significativamente a confiança dos doadores e consequentemente aumenta o volume de doações. No Brasil, como em outros casos, há pouca pesquisa sobre isso. Podemos destacar uma experiência que foi descontinuada mas que em seu curto tempo de vida gerou excelentes resultados. Trata-se do Prêmio Beneficente, de Stephen Kannitz. Ele trouxe dados interessantes sobre a experiência:

  • As 50 instituições mais bem administradas do ano dobraram a sua renda de donativos nos três anos seguintes.
  • Em média receberam R$ 2.000.000,00 de donativos adicionais no triênio seguinte.
  • A maioria do dinheiro adicional veio de pessoas que nunca haviam doado antes.

O objetivo é que não só estas primeiras 100, mas o maior número possível de ONGs, entre as mais de 300 mil existentes neste país, possam através desta parceria do Instituto Doar com a Revista Época, estabelecer padrões para a melhoria contínua. Aumentam sua legitimidade e reputação e aumentam os recursos de doadores para elas.

Processos administrativos, contábeis, financeiros, de comunicação, são verificáveis. Recomenda-se que sejam públicos e transparentes, já que os recursos são provenientes de doações e patrocínios e se espera o melhor uso desse dinheiro. Metodologias, pedagogias e procedimentos de cada ONG com seus públicos não podem nem devem ser comparáveis nem muito menos ranqueados. Mas a gestão e a transparência dos recursos, sim. É isso que o premio mediu e é assim pretende seguir fazendo: premiando ONGs cujos dados são mensuráveis e objetivos.

Melhores ONGs é portanto um guia que facilita para o doador na hora de escolher pra quem doar.  É hora de valorizar o que é nosso e apoiar a Ramacrisna.

Confira aqui a lista de todas as premiadas.