| Hoje, quase todos
comungam da convicção de que além
do frágil véu da falsa realidade
existe uma realidade maior do qual alguma coisa
nos separa por algum motivo. Qual será?
Para penetrar nestas fronteiras é indispensável
que nossa consciência se transforme e, sobretudo
façamos a entrega de nós mesmos,
sem condições, à Mãe
Universal, para atravessarmos nossas velhas fronteiras
na busca do novo mundo.
Os psicotrópicos que são usados,
atualmente, por grande número de jovens,
indicam a ânsia do ser humano na busca de
penetrar no desconhecido, de revelar a si mesmo,
de interpretar com segurança o que existir
em seu “eu” interior. Estes processos,
todavia, levam à loucura, sem que o experimentador
alcance seu objetivo. O emprego destas substâncias,
para obter resultados “psíquicos”,
é desastroso. Tudo nos leva à estaca
zero, pois, continuam as desarmonizações
anteriormente sentidas, sem resposta.
Já nos acostumamos a receber visitas de
pessoas interessadas nos estudos da ioga. O entusiasmo
que se apossa do iniciante na obra maravilhosa
do descobrir a si mesmo, logo se esboroa pela
carência de perseverança, sobretudo
pela causa essencial do seu fracasso: as ondas
de ignorância que o dominam e que não
consentem, facilmente, em sua retirada do terreno
onde ele é escravo. Isto quer dizer, que
se não houver uma poderosa vontade, nascida
mesmo do subconsciente, manifestando-se no indivíduo,
hoje, ele é uma pessoa, amanhã,
é uma outra muito diferente. Quando a pessoa
não conhece a si mesmo, no campo espiritual,
não podemos aceitar seu compromisso, porque
está sujeito a trocas, é algo instável.
Quantas vezes, por experiência, temos entregado
certos segredos de práticas ióguicas,
demandando a pessoa para não transmitir
aquelas imagens para nenhuma outra, senão
dali a seis meses. Resultado: dali alguns dias,
sua esposa está sabendo do que se passou;
mais um pouco de dias, amigos reunidos em torno
de uma mesa, bebendo qualquer coisa, também,
ficam cientes do fato; hipnotizado, revela o que
se passou; outra companheira de estudos, propositadamente,
surpreende-o, faz a indagação e
a história está na rua. É
que esta criatura tem várias facetas, ainda
não acordou, não é um homem
que conhece a si mesmo. Fez a promessa, faria
muitas outras, com boa intenção,
mas não tem a condição essencial
para manter o compromisso: não conhece
a si mesmo.
Existem centenas de livros apontando os meios
para o ser humano encontrar a sua vocação.
Há, sem dúvida, muitos ensinamentos
úteis nessas obras, mas elas estão
longe de resolver o problema vocacional. Por isso,
verificamos tantos fracassos pelo mundo a fora
porque as mentes são utilizadas no trabalho
que não lhe são próprias,
passando a agirem mecanizadas. Verifica-se, então,
que o homem trabalha dirigindo a mecanização
e, ao mesmo tempo, não passa de uma máquina
governada por influências externas. O assunto
é tão atraente que podemos afirmar
que a arte, a poesia, o pensamento escrito, todos
são fenômenos mecanizados. Filho
de gato, gatinho é...
Há pessoas que não são máquinas,
mas elas são antes de qualquer coisa, conhecedoras
de si mesmas. E para uma pessoa saber se é
ou não uma máquina, é preciso
ter alcançado as qualidades de penetrar
dentro do “Eu” interior. No mundo
há gente selvagem, mecanizada, intelectual,
gênios. Elas, aparentemente, são
diferentes. Mas, a verdade é que são
máquinas, movidas por influências
externas. Máquinas nascem. Máquinas
morrem. Estamos, pois, no reinado da mecanização.
Parece um disparate incluir no mesmo quadro, selvagens
e intelectuais, não é assim? Agora,
mesmo, quando estou escrevendo este artigo, milhares
de máquinas tratam de matar uns aos outros.
Que diferença há entre elas? Onde
estão os selvagens e os intelectuais? Além
do front vietnamita, dos terrenos asiáticos,
estão os que aceitam e os que não
aceitam a guerra, também, depredando, aniquilando,
incendiando, como formas de protesto. Todos são
os mesmos... senão agiriam de outra maneira.
Há várias espécies de máquinas:
o automóvel; o canhão, é
máquina; a metralhadora, é máquina,
o avião, ultra-matador, espalhando milhares
de bombas por dia, é máquina. Embora
diferentes em seus místeres, tudo é
a mesma coisa: máquina.
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